A importância da comunicação

  • O principal meio de comunicação do ser humano é a linguagem. 
  • Por meio dela, os indivíduos atribuem significado aos sons que emitem.

Há setecentos anos, Frederico II, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, efetuou uma experiência para determinar que língua as crianças falariam quando crescessem, se jamais tivesses ouvido alguém falar: 

Falariam hebraico (que então se julgava ser a língua mais antiga), grego, latim ou a língua de seu país?

Deu instruções às armas e mães adotivas para que alimentassem as crianças e lhes dessem banho, mas que sob hipótese nenhuma falassem com elas ou perto delas.A experiência fracassou, porque todas as crianças morreram. 
(Paul B. Horton e Chester L. Hunt. Sociologia. São Paulo, McGraw-Hill do Brasil, 1980. o. 77.)

Assim como a história narrada do "menino selvagem" de Aveyron, a fracassada experiência de Frederico II mostra que a comunicação é vital para a espécie humana e para o principal meio de comunicação do ser humano é a linguagem. 

Por meio dela, os indivíduos atribuem significado aos sons articulados que emitem. 

Graças à linguagem podemos transmitir pensamentos e sentimentos aos nossos semelhantes, assim como nossas experiências e descobertas às gerações futuras, fazendo com que os conhecimentos adquiridos não se percam.

Além da linguagem falada, o ser humano desenvolveu outras formas de comunicação ao longo da História. Um grande avanço ocorreu com o surgimento da escrita, na Mesopotâmia, por volta de 4000 a.C. A invenção dos tipos móveis de impressão por Gutenberg, no século XV, foi outro passo importante. Nos séculos XIX e XX assistimos à invenção do telégrafo, do telefone, do rádio, do cinema, da televisão, do telex, da comunicação por satélite, da Internet.

Atualmente, fatos, ideias, sentimentos, atitudes e opiniões são compartilhados por milhões de pessoas na maior parte do planeta, graças a esses meios de comunicação. 

Por essa razão, o especialista em comunicação Marshall McLuhan afirmou e nós reconhecemos, que o mundo contemporâneo é uma autêntica "aldeia global", pois os meios de comunicação de massa moldam hoje as ideias e opiniões de grupos cada vez maiores de indivíduos.


O "menino selvagem" de Aveyron

O "Menino Selvagem" de Aveyron tornou-se um dos casos mais conhecidos de seres humanos criados em ambiente selvagem.

Em 1797, um menino quase inteiramente nu foi visto pela primeira vez deambulando pela floresta de Lacaune, em França. Em 9 de janeiro de 1800, foi registrado o seu aparecimento num moinho em Saint-Sernein, distrito de Aveyron.

Tinha a cabeça, os braços e os pés nus; farrapos de uma velha camisa (sinal de algum contato anterior com os seres humanos) cobriam o resto do corpo. Sempre que alguém se aproximava, ele fugia como um animal assustado.

Era um menino de cerca de 12 anos, tinha a pele branca e fina, rosto redondo, olhos negros e fundos, cabelos castanhos e nariz comprido e aquilino.

A sua fisionomia foi descrita como graciosa; sorria involuntariamente e o seu corpo estava coberto de cicatrizes. Provavelmente abandonado na floresta aos 4 ou 5 anos, foi objeto de curiosidade e provocou discussões acaloradas.

Após sua captura, verificou-se que Victor (assim passou a ser chamado) não pronunciava nenhuma palavra e parecia não entender nada do que lhe falavam. Apesar do rigoroso inverno europeu, rejeitava roupas e também o uso de cama, dormia no chão sem colchão. 

Locomovia-se apoiado nas mãos e nos pés, correndo como os animais quadrúpedes.

Um olhar sociológico

Victor de Aveyron tornou-se um dos casos mais conhecidos de seres humanos criados livres em ambiente selvagem.

Médicos franceses, como Jean Étienne Esquirol (1772-1840) e Philippe Pinel (1745-1826), afirmavam que o menino selvagem sofria de idiotia, uma deficiência mental grave. Segundo eles, teria sido essa a razão pela qual os pais o haviam abandonado.

O psiquiatra Jean-Marie Gaspard Itard, diretor de um instituto de surdos-mudos, não compartilhava da opinião dos colegas. Quais as consequências, perguntava ele, da privação do convívio social e da ausência absoluta de educação para a inteligência de um adolescente que viveu assim, separado de indivíduos de sua espécie?

Itard acreditava que a situação de abandono e afastamento da civilização explicava o comportamento diferente do menino. Discordava, assim, do diagnóstico de deficiência mental para o caso.

No livro A educação de um homem selvagem, publicado em 1801, Itard apresenta seu trabalho com o menino selvagem de Aveyron, descrevendo as etapas de sua educação: ele já é capaz de sentar-se convenientemente à mesa, tirar a água necessária para beber, levar ao seu terapeuta as coisas de que necessita; diverte-se ao empurrar um pequeno carrinho e começa também a ler.

Cinco anos mais tarde, Victor já fabricava pequenos objetos e podava as plantas da casa. Com base nesses resultados, Itard reforçou sua tese de que os hábitos selvagens iniciais do menino e sua aparente deficiência mental eram apenas e tão-somente resultado de uma vida afastada de seus semelhantes e da civilização.

A partir de sua experiência com o menino, Itard formulou a hipótese de que a maior parte das deficiências intelectuais e sociais não é inata, mas tem sua origem na falta de socialização do indivíduo considerado deficiente, na falta de comunicação com seus semelhantes, especialmente de comunicação verbal. 

Aproximando-se de uma visão sociológica, o pesquisador concluiu que o isolamento social prejudica a sociabilidade do indivíduo. Ora, a sociabilidade é o que torna possível a vida em sociedade.

O caso do menino selvagem de Aveyron mostra que o ser humano é um animal social por excelência, como afirmava o filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.). Sua vida só adquire sentido na relação com outros seres humanos.

As relações entre os seres humanos, isto é, as relações sociais, constituem a base da sociedade. A forma pela qual essas relações ocorrem são fatos sociais e são eles que determinam o comportamento e a vida em sociedade.

Victor aprendeu a andar, a comer, a vestir-se e a fazer objetos por intermédio do contato com outras pessoas. Mas não assimilou apenas as coisas práticas da vida. Ao estabelecer relações com outros seres humanos, aprendeu também a comportar-se, a expressar sentimentos e a agir da mesma forma que as pessoas com as quais passou a conviver. 

Em uma palavra, ele socializou-se.

O estudo de como os seres humanos relacionam-se na vida prática e afetiva, das formas pelas quais interagem uns com os outros, estabelecendo regras e valores, constitui tarefa de um grupo de disciplinas reunidas sob o nome de Ciências Sociais.


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