Brincadeira vs Trabalho
Hoje acontece como dos tantos dias, falar do que adoro. Mais propriamente do trabalho Montessoriano que muito me tem brindado quem nem precianas para a sombra - e tão simples! A maioria dos brinquedos dos anúncios são feitos para distrair, entreter e no limite, alienar.
A criança é diferente do adulto, não sente necessidade de descansar do mundo real.
Ela deseja absorvê-lo inteiro. - Conselho na hora que levar o carrinho de supermercado. - Quando escolher um brinquedo ou uma brincadeira para o seu mais precioso, pense: "Qual a maravilha do mundo real levo para meu filho agora?" E sabe que novidade?
Assim de repente, leve somente a sua inteira disponibilidade da sua atraente atenção e participação de bom ouvinte e conversador para o seu aconchego do dia a dia, confie!!
- As semelhanças e as diferenças entre o trabalho montessoriano e a brincadeira
Tem muita tinta por aqui, mas é por aqui mesmo que quero assinar o meu trabalho, o meu empenho e sensatez como mãe.
É disto que se fala, - da oportunidade da indepêndência para a indentidade como impulsionadora da personalidade (de constante formação) que gera criatividade para as resoluções.
Não díria melhor, esforço-me e doua a vantagem do silêncio, por entender determinantemente ao máximo cada etapa, desejo e objetivo pretendido. (lembra-me que já não muito logem, nem rádio, nem tv, existiam).. e como estas crianças se destemeram para a vida..
E não, não estou preocupada com "o meu ainda não faz isto, aquele já diz aquilo".. Cada ser é inqualíficavelmente especial e muito mais aos olhos de quem os quer vêr nutrir.
O trabalho montessoriano é diferente dos trabalhos escolares em geral, assemelha-se à brincadeira em uma série de pontos e é construído com o objetivo de seguir a natureza e as necessidades fundamentais da criança.
É uma atividade de contentamento. A criança que a realiza, sente-se completa, preenchida. Desenvolve materiais que lhe permitem construir-se enquanto identidade ao mesmo tempo que aprende sobre o mundo que a circunda. Neste contexto, mesmo os assuntos que podem soar áridos a quem os aprendeu em um ambiente tradicional tomam ares de maravilha! Foi preciso ser mãe para me querer de volta a ser criança e reaprender a tocar nas plantas e novas texturas. A partilha deste contentamento é infindável.
E constata-se que crianças colocadas nestas condições adequadas, geram uma paixão mais desenvolvida pela matemática, pelos grandes números, pelas grandes operações aritméticas, como pelo cálculo de nível muito superior, como o estudo das potências dos números, a extração da raiz quadrada e cúbica e especialmente pelos problemas de geometria.
É a libertação espontanea do apreendido, frente à realidade para criar, responder, proteger, cuidar e reciclar agilmente como um bravo e latente desafio.
Por isso, se estes garotos tiverem de cair, que seja por si.. arranhar, tocar, torcer, morder, cheirar, saborear..
E não se aborreçam tanto quando o vêem agachado para cada piso adiante ou para aquele caco de casca de madeira do chão por testar. Estão a saber viver! É um estado fundamental! É viver para aprender!
Quando o ambiente é próprio e os adultos muito bem preparados, este trabalho de sociabilização, basta!
A brincadeira, ainda que sempre permitida não é necessária. A criança não a procura porque satisfaz-se em todas as suas necessidades com o trabalho ativo, concentrado e preenchido - a feliz resolução oportuna e inata.

As mãos estão sempre em ação e há inúmeros objetos belíssimos para utilizar e compreender.
Em casa, a casa basta. Adequa-se os ambientes às necessidades e possibilidades da criança, o que significa baixar a altura de muitas mobílias, incluiu o livre acesso à circulação para pertencer. É dar a oportunidade de escolhas, recolhas e objeções.
Liberdades de pé descalço sem crocks. Ou voçês já viram o nosso primo Sapiens de All Star's como estrutura vestigial? O ambiente deve ser ordenado, assim como a rotina. São as tais ditas regras a ser respeitadas para evitar confusões, e que os adultos precisam de se esforçar por serem pacíficos.
- E sim, é verdade que tenho levado vassouradas das educadoras do meu filho, afinal eu facilito imenso.. Good Jesus, como elas me alertam para a Sra Peça que aí vem! E não sou tão boa mãe como julgava, estou em permanente criação ou não daria neste artigo..
E só como a mãe do meu Principe, permito-me somente notar a raíz que cada indivíduo contém, que escolhe e decide o que quer, para aprender a ser a parte do mundo real!
As crianças alertam, dão sinais, são bons comunicadores, só temos de estar atentos! Portanto pais, muito ouvido, muita conversa, atenção corporal e desvalorizar o que tem de ser desvalorizado e muita salva de palmas em cada bom avanço de pata grande que dá! .. E ó que eles aprendem rápido!!.. Lembram-se do Filme Pinóquio, adoro revê-lo!
Atingir o Pico da Verdade!

- Ele vai querer pôr a louça na máquina e tirar, mexer no computador como eu, no telefone, dobrar as roupas, colocar quadros na parede, limpar o wc, cuidar das plantas, colocar e levantar a mesa, vêr televião, jogar jogos interativos (cuidado com estes dois últimos), pintar, lixar, costurar, martelar, varrer, aspirar, escrever, lustrar, vestir e despir, banhar-se, mudar as pilhas, trocar de lâmpadas dos candeeiros do teto, subir os degraus do escadote na conclusão do trabalho final de papel de parede..
Só "o viver" já toma todo o dia da criança em casa, especialmente se vai para a escola. Além de tudo isto, ainda há infinitas possibilidades de exploração do quintal, da varanda, da área comum do prédio, dos parques, museus..
O meu, especificamente adora aspirar, quer mesmo ser ele a fazer bem.. e frustrado que fica se o ajudo. Já em outras casas a primeira coisa que vê depois da sua descoberta é a devoluçao da sua tarefa: varrer com a pá e vassoura, - e ai de alguém que tire.. é o seu trabalho de luxo. Já teve de levar para dormir.. hoje foi o truque da minha carteira. Estava bem entalado em sono e teimoso como é, só mesmo a truque blindado com o percurso do colo para quarto e já sem qualquer tipo de luz, que a recuperei.
Os espaços do mundo, todos eles, são espaços de aprendizagem e desenvolvimento. Alimentem-no, eles estão cheios de fome!
E seguramente têm um amigo companheiro em contínuo agradecimento.
Passo uma lista breve de pontos a pensar sobre os brinquedos e o brincar em casa:

1. O pouco vale muito - não tenha muitos brinquedos. Tenha poucos. Se precisa de um número, tenha dez e deixe seis à disposição, no máximo. É pouco provável que ela tenha real paixão, ao mesmo tempo, por mais de seis brinquedos. Liberte e adapte o resto da casa e lembre-se de que toda a casa é ambiente da criança. Assim os seis brinquedos não são as seis alternativas dela, mas mais seis alternativas para ela! Além disso, tendo poucos brinquedos pode pensar-se mais em cada um deles e o que fazer ou adquirir para mais educativos. Tudo isto nós adoraramos ver acontecer! Poucos brinquedos levam a uma fácil administração da ordem.
2. Ame e conheça o universo - os brinquedos e as brincadeiras vendidas nas lojas e nos anúncios de televisão são, em geral, vazios(as) e ausentes de sentido. Maravilhar-se com o real é o grande segredo de todos os cientistas, artistas, filósofos e líderes políticos e religiosos - experimente também. O seu filho, com certeza vai adorar.
3. Viver é desenvolver - A criança não quer perder tempo. Ela deseja, mais que tudo, desenvolver e tornar-se independente. Vai aproveitar cada oportunidade que tiver para descer com dificuldade e esforço do colchão ao chão, pegar nas frutas e nos legumes da cesta da cozinha e manipulá-las, abusar das pontinhas dos dedinhos de alicate para apanhar todas as migalhinhas de sésamo.. A vida é toda uma grande descoberta e uma grande oportunidade para crescer. Com a brincadeira acontece exatamente o mesmo. Ao planear uma brincadeira, observe e tenha atenção o momento do seu desenvolvimento e suas as necessidades.
Não compre brinquedos que sejam auto suficientes, que façam tudo sozinhos. Pode presentear-lhe com um boneco, mas não dê mais do que isso. Os brinquedos bons são aqueles pelos quais ele vai se apaixonar, são aqueles que exigem muito de seu cérebro em formação, que permitem o que eu chamo de final em aberto, em que é possível trabalhar por muito tempo livremente ou descobrir pela exploração e raciocínio a solução de um enigma.
Se considerar os três pontos que levanto acima, acerta sempre. Todos estamos sujeitos ao erro e uma das belezas da vida é justamente encarar essa possibilidade como algo inerente à existência.
Este trabalho sugere o erro como "caro e inseparável companheiro de caminho" e o conhecer muito bem, não para evitá-lo mas para contorla-lo. E vai vêr que tem aí um Sr. Mágico com muitos parabéns em aplauso!!
1 - Brincadeiras que envolvam todo o corpo - Circuitos de tarefas nas quais a criança deva empenhar os braços e pernas, atividades que envolvam equilíbrio, força, cuidado nos passos. Desde uma linha traçada no chão para crianças pequenas, passando pela amarela e chegando até a princípios de arvorismo. Brincar com cordas, labirintos (que podem ser feitos com cordas, pacotes de leite), obstáculos, passar por baixo, por cima, passar em volta, entrar em espaços pequenos, tudo serve, tudo diverte e tudo ensina, da forma certa em feliz atividade;

2. Espaços naturais abertos ou parques - mais do que o parque com máquinas e equipamentos que fazem tudo pela criança, amplos espaços com troncos, pedras, areia, mato e terra oferecem muitas mais possibilidades de exploração, expressão e descoberta e interação para a criação. Mexer com diferentes texturas, carregar pesos, transplantar, plantar, empilhar, construir são algumas das muitas atividades que um espaço natural oferece.
Se não houver nenhuma quinta para crianças perto da sua casa, experimente visitar espaços de mato de verdade.
Se o seu filho não for muito pequeno e o espaço não for selvagem demais, haverá muito que fazer e pouco o que temer, acrescente;


3. Brincadeiras de minimundo - trata-se do que se chama habitualmente de small world play.
É o tipo de brincadeira que envolve pequenos bonecos, miniaturas do mundo real. A interação entre as formas humanas ou animais e seu ambiente é uma mímica do mundo real e ajuda a criança a simbolizar sua realidade e compreender melhor suas características. Em que podem ser abordados temas como o desporto, profissões, escola, família, transportes, animais selvagens, animais domésticos, paisagens, localidades geográficas.
Lembre-se, o faz-de-conta que parte da realidade é muito mais interessante do que aquele que precisa gerar todo um mundo de fantasia. E, o minimundo não substitui o mundo real - ele é sua mímica, sua imitação e conta com a exploração do real para fazer sentido;

4. Faz-de-conta - Montessori nunca foi contra o faz-de-conta.
A brincadeira de fingir que tem de base o mundo real, é a exploração psicológica, criativa e emocional do mundo que circunda a criança. Evita-se sim embarcar num mundo de fantasia, com elementos que fogem ao que pode ser percebido pelos sentidos e confundem a criança na sua percepção da realidade, não auxiliando em nada no seu desenvolvimento.
Mas o faz-de-conta que copia o real é belíssimo e ajuda a criança a compreender melhor o ambiente em que vive.
O teatro, as roupas e a atribuição de papéis é algo que surge naturalmente entre crianças pequenas e é também algo que pode ser utilizado em casa. Atenção para não exagerar e utilizar, como às outras.
Como adultos, adoramos esse tipo específico de brincadeira. Afinal não é tão bom como fácil ser mãe e pai?

