O dia de todas as mulheres
(e o meu filho que até agora tem sido quase, quase livre)

Todas reclamamos pelo mesmo.
Tempo de qualidade. Tempo que nos permita o desacelarar, o desfrutar 'deles', o amar lentamente, o saborear.
O deixar ir, e vê-los crescer e alargar o espaço. Deles, que são como nós. A nossa eterna herança família em tesouro que para estarem bem, tem de alguém de estar ótimo!
Os dias correm e atarefadas colecionamos memórias, frases que eles nos dizem na correria das manhãs.

Passamos o dia com as vozes sorridentes e ensonadas a fazerem eco nos nossos corações.
Muitas mães que me chamam, alegam ter muito trabalho e cansaço acumulado, quase sem vida, que será outra vida!
Porque para seres mãe, precisas de também ser mulher, ganhar presença em atenção como diversão. Com o simples, estar bem contigo!
Como ir ao cebeleireiro. Ou porque adoeçemos ou porque são 'eles', ou mesmo ambos ou em todos os 'porque' ou 'porquês', e que em desabafo confirmam o quanto pouco se tratam, e aproveitam o dia a dia, o dia com eles.. que já nem aos saldos conseguem ir, e sabem que quem peca, sempre os nossos filhos..
É uma realidade que eu própria vivo. Mãe que não estiver bem, ninguém mais estará! E nesta nota repetirei da velha máxima, "em que menos é sempre mais". Em agarrarmos a brisa oxigénio e a casa em ordem, para encontrar as tais sandálias, botins de salto que a vida nos confia.
Sim, até porque eles já têm a vida deles, nós é que ainda não queremos querer, porque lhes confiamos a nossa! E ao que julgamos de produto (quase) acabado, nos calha -também- em rifa a tão inoportuna permissividade entre parentes, amigos ou mesmo vizinhos.
Falo disto, com sentido de causa, até porque andei um destes dias em pantanas a vêr se com a minha ausência, a avó do Henrique, a avó Maria, lhe impunha limites claros. Não. Repreende pouco, e se já a ensinei a conversar acerca dos limites e negociações, com muita conversa. Sim porque filha também pode reeducar uma mãe! É claro que custa ser fardo interio!
E dei em grande susto, com pinturas rupestres (até que bem giras por sinal), pela entrada da porta.. então, já sabem o que aconteceu!? Pois, o borrachinho lá se contententou com a saída da mãe, e como a avó nem ninguém deixa continuar nas paredes da casa, veio para o wall. A vóvó, como ele a chama, como já nem vê tão bem, é a delícia para os olhos do meu!! Soube tão bem para os dois, não foi?! :) O que se consolam!
Já ontem, mais descansadinha da minha vida laroca, de chave na porta.. só ouvia o barulho da Disney Channel.. fui ao berço, nada de sentir.. chamei, - 'mãe'.. (totalíssimo silêncio), ai que tédio..
Entrei em corropiu para averiguar o que se passava, e visto ter ouvido a reunião de condomínio ali naquela hora, de pessoal com sede por pôr travão em engrenagem.. (até porque era concerteza o meu borrachinho quem impunha ali o controle em ordem em muito boa comunição, bem sei)! Faltariam mais 'Henriques' em muitas mais destas!
..e lá ele, parimpeiroso de bonhacheirão em receber virtudes de mimos vizinhos para namoros colo, pois está claro!.
Apenas e sobretudo voltou mais falador e S U P E R F E L I Z, de nada com ele.. e eu de trombose, ai minha mãe, Maria..
(Deus me valha.. mas precisas de voltar como ateliêr semanal, às sessões de condomínio, mesmo que por 15m!.. pensava)

- Interessante, começar as sua pintura de um mesmo pontinho, não é?
05/04/2017

