Doce amor
Toda a despedida é dor tão doce todavia, que eu te diria boa noite até que amanhecesse o dia.
William Shakespeare
Na hora em que este rapaz bom se afunda no sono, a minha ânsia volta à tona só de o voltar a abraçar. São de uns miminhos tão bons ao acordar com este boneco, a forma como teteia em minhas costas em abracinhos e docemente me afaga o rosto e sabe do que trago no bolso... o seu leitinho morno.
Categorizo-me como amante suprema do meu mais que tudo e que até gosto que o meu Henrique também se enamore com outras donzelas e dance de seu traje fugaz aos gentlemans, mas sabem?
Rói quando quer sair do meu colo... dói sim!
Dor de filho, reflexão de mãe
Nada mais difícil do quer ver filho sofrer, não é? Dor de filho é dor sofrida, principalmente no coração de mãe!
Costumamos falar muito das alegrias de ser mãe e das conquistas dos filhos, o que é muito prazeroso e fácil. Mas a maternidade também nos faz lidar com as dores e fracassos que os nossos filhos enfrentam no decorrer das suas vidas.
E ajudá-los a superar e vencer cada uma delas é uma importante tarefa dos pais.
É angústia silenciosa que se veste de coragem e força para demonstrar ao filho controle e segurança frente à dor ou doença.
Dor de filho dói na alma de quem, impotente, nem sempre consegue livrar-se de passar e ter que se submeter ao tempo a revelar, tratar e curar. É tempo que parece não correr, mas corroer aquela que só quer proteger. Não importa se é dor de barriga, dor de pé, dor na alma ou no coração. Quando dói no filho, dói também na mãe e não importa se tem 2, 10, 18 ou 30 anos. A vontade em poupá-los, arrasta-nos numa angústia, mesmo sabendo que não podemos livrá-los da sua vivência. Algumas dores físicas ou emocionais são rápidas ou passageiras, outras nem tanto.
Ser testemunho do sofrimento de um filho e lidar com a impotência diante de algumas impossibilidades desequilibra qualquer mãe, embora não derrube a capacidade de enfrentar ou testemunhar junto a ele as nossas batalhas.
Em geral, passado a tempestade, o filho segue fortalecido avante a sua vida e sobra uma mãe que precisa de se rearrumar, cuidar e curar.
Retomar a paz e alegria é necessário e cada uma o fará de forma diferente. Permitir-se buscar formas de reencontrar o rumo é fundamental. Pode ser através do acolhimento do companheiro, família, terapeuta ou mesmo de uma viagem, um programa em família que celebre o fim das turbulências.
Às vezes escrever também é uma boa forma de elaborar e curar.
Recompor é urgente e preciso. Pois a vida segue e a do filho também e não podemos impedir que novas dores cheguem. Elas fazem parte da vida e do crescer.
Aqui desabafo a realização de enquanto mãe, menina e mulher em construção e constante transformação, porque dou o que sinto simplesmente porque estás cá.
E quando te fores, fica principalmente o meu coração de mãe!

