Para ser mãe, mais que mulher

E esta culpa? Esta culpa que acompanha?

As mulheres têm maravilhosos e infindáveis recursos dentro delas.

Um movimento constante no corpo que grita para ser expresso. Possuem raízes ancestrais e profundas que apesar de invisíveis estão lá, basta abrir o canal para que se revelem.

Para seres mãe, precisas de ser mulher.

E chega a um momento em que é mesmo preciso te retirares.

Com tempo. 

Com espaço para me cuidar. 

Eu não precisas de SER mais nada. Apenas de DESFOLHAR. 

Abrir delicadamente e SENTIR. 

Acordar de dentro para fora. 
Descansar das sobrecargas. 
E permitir-me reencontrar a mulher que há, e que sempre existiu. 

Encontrar uma rotina de tempo pessoal replicável, para reencontrar espaço no tempo. 

Do meu corpo, das minhas emoções, dos meus pensamentos, dos meus sonhos. 

Abrindo, cuidando do que é meu, que ainda está solto...

E, de preferência, muito bem feito. 

Trabalho, cuido do meu filho, da lide da casa e gestão de outro resto. 


Fica quanto? 

Multiplico-me por quatro.. e em que fico? 

Em quanta virtude?

Cuido dos meus amigos, que os amo! 

Facilmente entro no FAZER constante. 

No repetido, sem questionar! 

Bastariam uns dois dias, para SENTIR que sou mais mulher.


As mulheres têm maravilhosos e infindáveis recursos dentro delas. 

Possuem raízes ancestrais e profundas que apesar de invisíveis estão lá. 

Uma capacidade de se render e deixar fluir, entregar-se! 

Uma intuição centrada e astuta que devolve a confiança do próximo passo. 


A capacidade de gerar vida que traz força e poder. 

Uma leveza em alma que embala os sonhos.

Então de onde vem este vazio? 

Esta vontade por vezes de fugir? 

Esta vontade secreta (e por vezes assustadora!) de estar sozinha, de ter tempo para mim? 


E esta culpa? Esta culpa que acompanha?

Vem precisamente do fosso construído pela MULHER, que a sociedade acha que deves ser. 

Vem da exigência que lanças sobre ti própria em lutas de igualdade de género e feitio. 

Vem do afastamento de ti própria. 

Não precisas de SER mais nada.

Permite-te reencontrar o que há e que sempre existiu, encontrar uma rotina de pessoal. 
Para reencontrares o teu espaço, no meu tempo.    

Reconhecer os sinais e reconhecer no meu corpo, alma e coração.

Reconhecer este desasossego da alma. Esta saudade que tenho de mim.

Porque para ser mãe, é muito mais necessário que ser mulher.

07-03-2017

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